AUSÊNCIAS
Após a partida de quem ocupou um grande e especial espaço em nossas vidas fica um vazio com a forma de quem nele esteve.
Passamos a conviver com uma ausência, perturbadoramente, presente.
Nossa mente se pega, por vezes, conversando com alguém já ido como se ele fosse nos responder e interagir conosco.
Passou a ser como aquele amigo invisível da infância.
Com o tempo forma-se uma cicatriz dentro de nosso coração com o contorno de uma figura e no seu interior o que chamo de zona cinzenta, porque para mim cinza é a ausência de vida e de alegria.
Cinza é monotônia!
É interessante relacionar-se com ausências e seus fantasmas sem nostalgia, mas, um vazio pleno de sentimentos que o tempo vai anestesiando e colocando no modo de adormecimento.
Ausências também são seres autônomos dentro de nós, com os quais aprendemos a conviver, pacificamente, ao longo da jornada.
Analisando minha trajetória , observo que minha coleção de ausências está aumentando e daqui a pouco será uma multidão.
Minha mãe dizia que chega um momento em que o entorno já não nos pertence mais, nem nós a ele. Portanto, não há porque permanecer em um lugar que se tornou estranho e desconfortável.
Ela viveu por 91 anos. Tempo suficiente para ver muitas partidas, conviver com suas ausências e ver seu mundo dar lugar a outro momento histórico.
De minha parte, estou me habituando a conviver com as minhas...
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