CASAMENTO- PARTE 2 Terceiro Ato

Eu entrava cedo no trabalho e chegava em casa por volta das 15 horas.

Quando meu pai me disse que havia um rapaz na sala querendo falar sobre livros, fui ver do que se tratava.

Não entendemos como ele entrou no prédio de três andares em que cada morador tinha a chave da porta de entrada, que permanecia sempre fechada.

Naquele dia e momento estava aberta.

O jovem magro, de baixa estatura , roupas escuras e antiquadas sentado na poltrona disse estar captando sócios para o Círculo do Livro, do qual eu havia saído por insatisfação.

Ouviu minhas avaliações negativas e não insistiu na tentativa de me convencer.

Manteve a calma, falou em tom pausado. Conversamos sobre amenidades, tomou café , disse que ainda iria para o colégio, pois cursava o último ano do Ensino  Médio e trabalhava para ajudar nas despesas de sua casa. Eu já havia terminado meu curso universitário e era seis anos mais velha que ele.

Me despertou o sentimento de piedade. Parecia infeliz.

Considero este um dos piores sentimentos que alguém pode nos despertar. 

Piedade e Solidariedade não são sinônimos. 

Voltei a ser sócia do Círculo do Livro para ajudá-lo. Assinamos o contrato e só identifiquei o seu sobrenome na rubrica. Esqueci de perguntar o nome dele.

Ele foi embora, discretamente, como chegou. Um mês depois, fiquei noiva do meu, então namorado. 

Seu lado sombra: descontrole emocional e agressividade.

O mundo rodou, terminei um noivado, engatei novo namoro, li os livros que encomendava mensalmente e a vida seguiu por quatro anos.

Já com o segundo noivo, que eu quase não via, um dia cruzei com ele em uma das salas de trabalho, lembrei que ele tinha ido à minha casa e lhe falei isto, mas a principio, não se lembrou.

Passados alguns dias, precisei pedir uma ambulância para um funcionário que estava com uma séria crise renal. Era ele.

Depois disto, ele conseguiu lembrar de mim. Começou a me atormentar ( foi o primeiro sinal do Universo) porque precisava beber muita água por causa dos cálculos renais e o bebedouro do andar estava com defeito. Eu, como secretária da Diretoria tive que resolver isto.

Desde então, começamos a conversar, depois almoçar juntos, mais adiante eu lhe dava carona, porque eu tinha carro ,ele não e sua casa era no caminho da minha.

 Ele tinha uma namorada e eu, um noivo.

Até que um dia ele não foi trabalhar, mas, me ligou pedindo para que eu passasse na sua casa porque queria me dar alguns bombons artesanais.

Após o trabalho, passei lá. Ele me esperou na porta, me conduziu até o interior. Me apresentou  sua irmã mais nova, que em seguida foi para seu quarto.

Conversa vai, conversa vem, ele  me beijou na sala da casa dele. E foi bom. É! Gostei!

Foi então, que a saga começou.

Acho que teremos uma segunda parte nessa história porque foi a mais longa e acidentada das três.

To be continued...


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