CASAMENTO PARTE 2- Segundo Ato

 Ele era um "cara" muito simpático, não tão carismático quanto o anterior, mas, era dono de um sorriso largo, simples e facilidade de comunicação.

Era o namorado do mundo! Tinha rodinhas nos pés, cantava muito bem (aliás, uma característica da família dele), tocava violão , tornando-se sempre o centro das atenções em reuniões de amigos e era do intetior do Estado.

Seu lado sombra:  alcoolista (fui saber disto mais tarde).

Era negro e isso deu o que falar, porque no começo houve resistência por parte da  minha mãe, mas, não do meu pai que havia sido criado por uma família negra  (talvez seja uma história para contar no futuro).

Nos conhecemos no trabalho, menos de um ano após eu ter terminado minha relação anterior . 

No início eu o achava meio debochado, me questionando se não estava sendo preconceituosa.

No final do ano começamos a trocar correspondência no "amigo secreto" e quando terminaram os festejos não conseguimos parar.

Em Fevereiro ele tinha passado no vestibular de Direito e eu o pedi em namoro,  o que ele prontamente aceitou.

Enfrentamos olhares atravessados em todos os locais que adentrávamos, pois não era muito comum um casal birracial, naquela época.

Fui ao interior conhecer a mãe dele,após conhecer sua irmã mais velha e o marido ( que era branco) e seu irmão mais novo que era músico de orquestra sinfônica, tendo ido morar na Dinamarca, posteriormente. 

A mãe dele era, claramente, descendente de indígenas, muito simples e gentil.

O pai havia falecido por consequência do alcoolismo.

Fez amizade com meu pai e ia para minha casa conversar com ele e assistir futebol juntos sempre que possível, porque torciam para o mesmo time. Minha mãe brincava que ele vinha em casa para namorar com o meu pai.

Mudou de emprego, fazia faculdade à noite e nos finais de semana, ia no Sábado no início da noite para o interior ver a mãe, voltando no Domingo à tarde. 

Ou seja, passávamos pouco tempo juntos.

Mesmo assim, ficamos noivos um ano depois do início de namoro, no Réveillon, que coincidia com o aniversário da irmã dele.

Meus pais foram muito bem recebidos e sentiram-se muito acolhidos pelas pessoas. Metade da cidade, quando soube que ele iria noivar, foi para a festa.

Ele fez o pedido na frente da platéia e das respectivas famílias. Trocamos as alianças e depois disto ele desapareceu com os amigos e só fui vê-lo no outro dia.

Meus pais acharam "diferente" esse jeito de ser.

No Carnaval fomos para a casa da mãe dele, onde estava hospedada uma ex-namorada que era amiga de sua irmã.

Ele sumiu durante três dias e nós duas acabamos fazendo amizade.

Quando  apareceu, estava detonado e completamente alcoolizado a ponto de não conseguir levantar do chão.

Foi então, que comecei a ligar os pontos de certos comportamentos.

Na cidade dele era comum os homens irem para o bar no final de semana para assistirem jogos de futebol em uma TV, reunidos em volta de mesas e bebendo todas. Depois voltavam para as respectivas casas, bêbados.

Alguns tinham alambiques em suas chácaras produzindo a própria cachaça.

Na noite do noivado ele foi comemorar o fato e o Ano Novo no alambique de um amigo. 

Além de ser um programa de homens, eu não bebia nem socialmente.

Então, começou a acontecer um esfriamento entre nós e um desânimo de minha parte porque ele não tinha espaço para mim em suas andanças pelo mundo. 

Foi aí que ressurgiu no meu caminho uma outra figura, que acabou sendo decisiva para que eu terminasse com ele.

Ficamos juntos por dois anos. Ao findar o relacionamento  ele estava arrasado. Após alguns dias me fez um longo telefonema, completamente embriagado, mas, antes de um ano, estava casando com uma moça da sua cidade, que pelo visto, lidava bem com a cultura local de complacência com o alcoolismo masculino.

Alguns anos depois, já casada e trabalhando na área da saúde,ao conversar com  com uma colega descobri que ela o tinha conhecido e começou um namoro com ele até que lhe contaram que ele era noivo,  (possivelmente ele tirava a aliança quando saia com os amigos) fazendo com que ela desistisse.

Neste ano, comecei noiva de um e terminei já noiva de outro. Meus parentes riam dessa minha peculiaridade.

Alguns "muitos" anos depois, eu estava recém divorciada, houve um breve reload que encerrou essa história.

Passados algum tempo, soube que ele faleceu após um segundo AVC, por não cumprir a orientação médica para deixar de tomar bebidas alcoólicas.




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