CASAMENTO PARTE 2 Terceiro Ato

 Desconfio que estou com certa resistência em escrever sobre o resto desta história.  

Vou procurar ser o mais sucinta possível. 

Eu já tinha feito minha primeira pós-graduação, embora ainda não tivesse me inserido na minha área de formação. 

Ele estava atolado na frustração de ter passado em uma Universidade bem conceituada próxima à sua casa, mas, que além de cara, era em período integral.

Ele precisava ajudar financeiramente a família.

 O pai dele estava desempregado, a mãe tinha conseguido um emprego como cuidadora de uma idosa e só folgava um dia na semana.

O irmão do meio também trabalhava ,  adiou a faculdade, que conseguiu fazer mais tarde, e a irmã caçula era adolescente.

No aniversário dele fiz uma surpresa com a ajuda de sua mãe , que gostou de mim.

Foi uma caixinha linda, que tinha uma mola com um palhacinho segurando uma faixa de Feliz Aniversário. Ao abrí-la o palhaço surgia e um monte de pequenos corações saltavam.

À noite, saímos para jantar e como ele gostava de aeromodelismo, lhe presentei com um avião do qual ele tinha falado, para montar.

Ele me disse que tinha terminado com a namorada e estava esperando que eu terminasse meu noivado, o que fiz um mês depois, já no início do ano, quando consegui encontrar o, então, noivo.

A meu conselho, e por ser a única alternativa que lhe possibilitava estudar à noite e trabalhar, prestou vestibular e foi estudar em Mogi das Cruzes.

No meu aniversário, na metade do ano, recebi muitos presentes e flores porque como secretária de uma diretoria, atendia  solicitações de muitos setores.

Meu ex-noivo me enviou rosas com um cartão.

Quando ele viu fez um grande escândalo, nos colocou em um taxi  com minhas muitas flores e caixas de bombons e fomos até o prédio em que morava o outro. Foi grosseiro com o porteiro e, ainda bem, que o meu ex não estava em casa.

Fomos para minha casa, com meu aniversário arruinado.

Ele foi embora, depois de uma hora voltou com cara de arrependimento, mas, um dia que começou festivo, terminou horrível.

No outro dia, minha mãe conversou comigo e  alertou-me para o tipo de pessoa que ele era.

Ouvi, mas, acho que eu estava abestalhada, e continuei com ele.

Após alguns meses, sem falar comigo, ele apareceu em casa com seus pais , que ainda não conheciam os meus,  bolo, champanhe e anel de noivado, comprado através de parcelamento.

Meus pais riram ao ouvir o pedido de casamento porque já era o terceiro, ninguém me levava mais a sério e, digamos, dos três, ele era o que não tinha afinidade com minha família. Então, ninguém torcia a favor.

Não fiquei feliz porque achei que ele deveria ter me consultado e eu deveria ter participado da decisão.

Algum tempo depois, a mãe dele conversando comigo disse que iria me alertar de que ele era honesto, trabalhador, porém, tinha um gênio do cão. Que ela estava me avisando para eu não alegar desconhecimento no futuro.

No próximo ano fui fazer minha segunda pós-graduação, enquanto ele trancou a matrícula no segundo semestre do ano letivo para fazer os preparativos para o casamento, e arrumar o apartamento que alugamos.

Estávamos com  pouquíssimo dinheiro. Então, combinamos de não fazer festa e casarmos só no civil.

Mas, nossas nães insistiram pela cerimônia religiosa.

A mãe de uma grande amiga, que é como minha segunda mãe, fez meu vestido de casamento. 

Enquanto fazíamos as provas, ela me perguntou várias vezes se eu queria mesmo casar com ele, pois, não parecia ser a pessoa adequada para mim.

Terminei meu curso em dezembro e na segunda semana de janeiro casamos.

A cerimônia religiosa tinha efeitos civis, assim, economizamos o valor do cartório.

Era uma sexta-feira. O padre, muito rígoroso, havia avisado que na igreja dele noivas não atrasavam. Eu era a primeira e haviam outras duas depois.

Após me vestir, fiquei alguns minutos sozinha no meu quarto à frente do espelho e senti um frio na barriga, como um mau pressentimento.

Cheguei às 19:05 h na porta da igreja  antes dos convidados.

 Aí, começou a confusão. Os padrinhos dele não chegavam, pois estavam vindo do litoral.

O padre não encontrava os documentos para realizar o casamento. Eu e meu pai na porta da igreja conversando com todos que chegavam.

Até que a marcha nupcial começou a tocar ( já era mais de 19:30 h). Entramos, porém, não era para entrar. O padre ainda não estava posicionado. Ao chegar no altar, fui recebida por um noivo emburrado, nervoso e reclamando de tudo. Não me fez um elogio e nem me sorriu. 

Os irmãos dele entraram no lugar dos padrinhos, que chegaram na metade da cerimônia e assumiram seus lugares.

Na saída, outra "treta" porque a mãe dele tinha preparado uma festa simples, mas, que lotou o apartamento. 

Mais uma vez, não fui avisada, meu pai se ressentiu porque se sentia na obrigação de contribuir e todos estávamos em um momento financeiro difícil.

O noivo misturou várias bebidas alcoólicas, não reservou hotel, mas, não quis ficar no nosso apartamento.

 Rodamos quase que a noite inteira a procura de um motel, pois iriamos para o litoral  norte pela manhã.

Não preciso dizer que ele passou mal o restante da noite, que o chalé alugado no litoral estava aquém do que eu imaginava e tivemos de voltar para São Paulo dois dias depois porque ele tinha passado em um processo seletivo e teria que fazer uma entrevista.

Vinte dias de convivência e após um desentendimento em que ele demonstrou sua personalidade dominadora e agressiva, fiz uma mala decidida a voltar para casa dos meus pais e anular o casamento, pois a certidão definitiva ainda não estava pronta, demoraria mais alguns dias. Porém, achei que seria muita covardia minha e permaneci. 

Era como se eu tivesse me casado com um e levado outro para casa.

Mas, não pude dizer que o Universo me enganou.

Recebi todos os sinais e mensagens possíveis até o último momento.

Todas as pessoas que serviram de mensageiras estavam certas.

A errada fui eu que não quis entender o que estava evidente.

Se todo mundo tem sua fase de déficit cognitivo,aquela foi a minha.

Hoje, após uma trajetoria desastrosa, sou uma divorciada que vive em paz! 

As três histórias tiveram fechamentos depois de muito tempo, em reencontros que o destino promoveu.

E vamos de Fernando Pessoa:

Tudo vale a pena se a alma não é pequena!

 Valeu como experiência.




 



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

AUSÊNCIAS

CASAMENTO- PARTE 2 Terceiro Ato