PESSOAS

 Há pessoas que deixam marcas profundas em nós, mesmo que tenham passado de forma efêmera em nosso caminho.

Há pessoas árvores e pessoas vento.

Pessoas árvores são aquelas que fincam raízes em seu solo sagrado, crescem, dão frutos e/ou flores, sombras acolhedoras e servem de lares para os pássaros.

A tarefa divina que recebem é a de serem continentes, provedoras, protetoras. Fortes, não se deixam derrubar por quaiquer tempestades. Aguentam firmes as intempéries, seguem o ciclo das estações e adaptem-se às mudanças do ambiente sem murmúrios, até o momento em que a Natureza determina que seus ciclos de vida devem encerrar-se.

E há pessoas vento. Aquelas que são voláteis, que movimentam-se por todos os lados, que percorrem o mundo sem a preocupação de se fixarem e seguirem regras. São donas de si mesmas, passam, desencadeiam mudanças e partem para novas descobertas. Às vezes são ventanias de tempestades, às vezes são brisas calmas e refrescantes no entardecer de um dia quente.

Quando pessoas vento encontram pessoas árvores costumam envolvê-las em seus encantos sutis e passageiros. Tocam suas copas, ora com voluptosidade, ora com  afago materno. Abraçam seus troncos em um  convite fugaz para a aventura.

Desse encontro surgem instantes de magia que dão lugar no futuro ao tempo da nostalgia, já que uma não pode ir aos confins em que a outra transita e, a outra, não pode existir sem movimento.

Pessoas! Algumas passam, algumas ficam. Algumas permanecem mesmo sem ficar. Outras se vão de dentro de nós, ainda que fisicamente permaneçam ao nosso lado.

 

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